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PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO (BREAK-EVEN POINT)

Neste artigo vamos falar sobre um indicador de grande valia para análise de performance operacional para qualquer empreendimento empresarial, que se refere ao Ponto de Equilíbrio, ou, também conhecido no mercado financeiro como Break-Even Point.

Com este indicador é possível mensurar o faturamento mínimo em determinado período, com base na estrutura operacional daquele mesmo intervalo, onde o Resultado Operacional seja nulo (igual a zero), ou seja, sem lucro nem prejuízo. Aí o nome: Ponto de Equilíbrio. Em outras palavras, indica o faturamento mínimo necessário para cobrir todos os gastos operacionais do período avaliado.

Este mesmo procedimento pode ser utilizado para análise do Ponto de Equilíbrio Financeiro, ou simular rentabilidades estimadas em relação ao Faturamento. Neste artigo, vamos nos concentrar apenas no Ponto de Equilíbrio Econômico.

Para a análise deste indicador são necessárias, basicamente, duas variáveis: a) a soma dos gastos fixos do período, compreendidos pelos custos fixos de fábrica (para o caso de indústrias – também conhecidos como Gastos Gerais de Fabricação) e despesas administrativas fixas, ambos em valores monetários; e, b) Margem de Contribuição em percentual do mesmo intervalo de tempo.

No caso de empresas comerciais ou de serviços, entende-se como gastos fixos a soma de todos as despesas do período analisado.

Vale lembrar que o Ponto de Equilíbrio pode ser útil tanto para análise pretérita, quanto para projeções futuras. Aliás, é muito utilizado como parte integrante do Planejamento Estratégico, pois indica ao departamento comercial duas informações preciosas: o faturamento a ser atingido, e a Margem de Contribuição mínima necessária para aquele faturamento.

Antes de avaliar este indicador, é importante ressaltar que cada Controller possui suas próprias técnicas de mensuração, estabelecendo ajustes em determinadas contas de resultado contábil, que melhor atendam suas demandas e as demandas dos gestores da empresa. Por este motivo, também, atribuímos à Controladoria Gerencial a atividade de remodelar relatórios e informativos contábeis, com intuito de aprimorar a leitura e análise de indicadores de desempenho.

Portanto, nos exemplos que daremos a seguir, sugerimos ajustes em algumas contas de resultados, de modo a proporcionar um melhor entendimento sobre Margem de Contribuição. Estes ajustes são necessários para que os elementos (contas de resultado) sejam subdivididos entre variáveis e fixos em relação ao Faturamento do período.

Basicamente, a composição da Margem de Contribuição será assim descrita, levando em consideração uma operação industrial:

Ajustes de posição de contas no Demonstrativo de Resultado do Exercício

Partindo do pressuposto de que em determinado período o faturamento de uma empresa seja nulo (igual a zero), há de se imaginar que o custo com fretes de entrega daquele mesmo período também seja nulo (igual a zero). Pois, não havendo faturamento, não há embarques. Não havendo embarques, o custo logístico com empresas de transporte não existe. Então, podemos afirmar que o fato gerador do custo logístico é o embarque, logo, o faturamento.

Assim, temos que despesas com fretes são despesas variáveis. O mesmo acontece com Comissões e Impostos sobre Vendas. Todos eles possuem um comportamento de variabilidade em relação ao faturamento de um período, seja ele qual for. Quanto maior for o faturamento, maior serão as despesas com estas contas, em valores monetários (não em termos percentuais).

O Custo com Matérias-primas (CPV no caso de indústrias) e Custo com Mercadorias Vendidas (CMV no caso de comércio), partem do mesmo raciocínio: Sem vendas e embarques, não há baixa de estoques de produtos acabados, logo o custo também é zero para aquele período.

Por outro lado, existem contas de resultado que independem do volume de faturamento, como por exemplo o Aluguel do imóvel da empresa. Independentemente de quanto a empresa fatura em determinado período, o custo com Aluguel será o mesmo. Neste caso temos que o Aluguel é uma conta Fixa em relação ao faturamento.

Não podemos confundir volume de faturamento com volume de atividade ou produção. Indústrias podem produzir volumes constantes de produtos, que serão estocados como produtos acabados. Alguns dos fatores de produção podem apresenta variabilidade com relação à este volume de atividade, mas não possuem correlação direta com o volume de Faturamento.

Neste artigo não vamos entrar nas particularidades de cada conta, ou grupo de contas de resultado, muito mesmo na seara de Custeio Variável ou por Absorção. Simplesmente, vamos afirmar que a classificação entre Custos e Despesas, fixos e variáveisde uma determinada empresa industrial sejam os seguintes:

DRE Gerencial Ajustado

Realizadas as devidas alterações nas contas de resultado, podemos passar a analisar o DRE Gerencial partindo do Faturamento Bruto até chegarmos ao Resultado Operacional.

No exemplo hipotético abaixo, é possível observar que o Resultado Operacional do período de análise foi deficitário em R$ 26 mil. Neste caso a pergunta que se pretende responder, através da análise de Ponto de Equilíbrio é: qual deveria ter sido o faturamento necessário para que o Resultado Operacional fosse igual a zero?

Ponto de Equilíbrio Econômico

Para calcularmos os Ponto de Equilíbrio, precisamos isolar duas variáveis, com base no DRE Gerencial: a) a soma dos gastos fixos (composto pelo Custo Operacional e Despesas Administrativas); e, b) Margem de Contribuição em percentual.

Em nosso exemplo, temos que a soma dos Gastos Fixos do período chegaram a R$ 375 mil, conforme exemplificado abaixo:

Nossa segunda variável (Margem de Contribuição em %), foi de 34,60% em relação ao Faturamento.

Com isso, aplicando a fórmula de Ponto de Equilíbrio, temos: [Gastos Fixos / MC%],  [375.000/0,349] = R$ 1.074.499 como sendo o faturamento ideal daquele intervalo de análise para que o Resultado Operacional se apresentasse nulo (igual a zero).

A equação de prova pode ser analisada através do quadro seguinte:

Importante ressaltar que o Ponto de Equilíbrio oscila entre períodos, pois as duas variáveis podem sofrer alterações por uma série de motivos, que vão desde o faturamento para regiões distintas (com alíquotas de impostos e fretes de entrega diferenciados), alterações no mix de produtos vendidos e consequentemente em seu comissionamento, bem como na contratação de serviços esporádicos que alteram os valores dos gastos fixos e etc. Desta forma, sugerimos análises com intervalos maiores, de modo a minimizar os efeitos pontuais que possam vir a ocorrer.

Caso tenha considerado este artigo interessante para a sua empresa, e precisar de auxílio para implementar este e outros indicadores de desempenho e estratégia, colocamos nossos serviços a sua disposição. Somos uma empresa com mais de 10 anos de experiência em melhoria de performance dos nossos clientes. Saiba mais através de nossos canais de atendimento.

Autor: Dolcimar De Re

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